sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Yorubá: entre o Sacro e a completa marginalização

ARILDO LEAL
O idioma é uma síntese histórica de uma cultura. Uma filosofia em si. Herdeira de outras, continuadora dessas. É impensável ter pleno conhecimento de si próprio sem olhar (e refletir) sobre os antepassados, sobre o acúmulo de vivência e maneiras passados a cada geração. Na véspera do Dia da Consciência Negra, como os brasileiros recebem as línguas e literatura africana?

“Não sei nada sobre línguas africanas. Porém, da minha família, a minha avó chegou a conhecer porque ela frequentava umbanda. A gente percebe que há um certo estigma pela cultura africana”, relata Felipe Camargo, estudante de Letras da UFMT. Ele, assim como muitos, apesar de não ter contato, reconhece que sente falta de oferta. O que não falta é demanda.

Yorubá, yorùba, Iorubá ou mesmo Ioruba. Quatro nomenclaturas para a Língua do último grande império africano, o Oyo (1400-1895). Língua do segundo maior grupo étnico da Nigéria (30 milhões ou 20%), que, por sua vez - segundo a ONU -, o país terá a terceira maior população do mundo em 2050 [1]. E, finalmente, língua originária – portanto, litúrgica e sagrada – do candomblé.


O idioma ganha cada vez mais publicações no Brasil, sejam dicionários, sejam métodos ou mesmo livros sobre sua história [imagens]. A Universidade Estadual do Piauí chegou na segunda metade do ano (2015) a ofertar um curso de Yorubá no Memorial Zumbi dos Palmares. “A implantação desse curso é uma demanda que o movimento negro piauiense tem há muito tempo e, agora, através dessa parceria entre as instituições, foi possível fazer essa oferta”, afirmou - na ocasião - Raimundo Dutra, coordenador geral do Plano Nacional de Formação de Professores (PARFOR) (Fonte: http://www.uespi.br/site/?p=75953).


Literatura
Segundo o Departamento de Letras da UFMT, nos últimos cinco anos vários eventos de literatura africana, de origem africana ou de descendentes (modernos) africanos foram oferecidos pela pós-graduação em Linguagem. A professora Divanize Carbonieri (Letras/Inglês), por exemplo, tem dado um importante espaço à literatura de origem africana em suas aulas, inclusive na graduação. Iniciativas como esta têm se difundido pelos demais cursos do departamento, bem como globalmente pelas pesquisas Brasil afora.

Confira a seguir os principais e importantes canais para o aprendizado do Yorubá:
UESPI (notícia da aula inalgural de Yorubá)
http://www.uespi.br/site/?p=77739
Referências:
[1] http://www.ebc.com.br/noticias/2015/07/mundo-tera-97-bilhoes-de-habitantes-em-2050

Cotas nas universidades: Os dois lados da moeda

FERNANDO PRADO

A realidade do Brasil Colônia
O que define uma raça? Ser branco, pardo, negro ou indígena? Quem nunca se deparou com esse questionamento em diversas ocasiões da vida?
As diferenças raciais sempre interferiram na história do Brasil. Desde que o Brasil era colônia, os negros já sofriam com a desigualdade racial, social e o racismo. Eles chegaram aqui em situação precária, por meio de navios negreiros encomendados pelos portugueses, como uma forma de mercadoria, que desencadeou em uma grande porcentagem de mortes. Muitos escravos ficavam amontoados em grandes calabouços e onde dormiam, faziam também suas necessidades. Não importava faixa etária. Todos ficavam em situações insalubres.
Os negros sobreviveram à escravidão, a diversas batalhas e obtiveram também inúmeras conquistas, como a Lei Áurea, que aboliu a escravatura no Brasil, assinada por Isabel, princesa imperial do Brasil, e pelo ministro da Agricultura da época, conselheiro Rodrigo Augusto da Silva.

As cotas nas federais
Os inúmeros investimentos na educação não preenchem a demanda por um ensino de qualidade no Brasil. A educação continua precária. A falta de incentivos é crescente. Isso faz com que alguns estudantes não consigam uma vaga nas universidades federais. Com isso, surge a política de cotas nas universidades, que, por sua vez, classifica os ingressantes por suas características étnicas.
A presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei das Cotas, que proporcionou uma cota de 50% das vagas em instituições e universidades federais destinadas a estudantes egressos de escolas públicas e com renda familiar igual ou inferior a um salário-mínimo e meio per capita. Constam também os critérios raciais para a cota (negros, pardos e indígenas).
De cara, o intuito era aumentar a demanda de alunos afro-brasileiros que saíssem do ensino médio, ao invés de investir na educação básica. “Precisamos de um sistema educacional de qualidade desde a base, e não de cotas como se os negros ou estudantes de escola pública fossem menos capazes, ou seja, burros.”, afirma a professora de educação básica, Edelaine Fernandes.
[Foto: Facebook]
Todavia, há críticas severas quanto à política de cotas. “Sou a favor da inclusão de portadores de necessidades especiais. Quanto à política de cotas, não compactuo. Uma vez que isso não influi na capacidade das pessoas. Tanto o negro, pardo e indígenas são pessoas aptas para disputar por igual. Creio que essa política só serve para aumentar ainda mais essa sensação que a discriminação deixa. Porque dá o direito de alguém dizer que a pessoa só conseguiu devido à política de cotas. O Brasil precisa mesmo deixar as diferenças de lado e se importar com outras esferas da sociedade.”, relata a jornalista Karen Silva.
Para algumas pessoas as cotas são discriminatórias e causam conflitos raciais. “Se a classe negra e indígena luta pela igualdade, que ela seja em todos os aspectos. O direito de uma vaga nas universidades federais tem que ser igual para todos”, defende uma estudante do ensino médio. “Não, se exigem direitos iguais? Devemos ser iguais em tudo. Não acho que um negro é menos inteligente que um pardo ou branco”, conclui o estudante do ensino médio, Leonan Carvalho Paniago.
No entanto, há quem veja a Lei das Cotas como algo benéfico e construtivo para o futuro da educação no Brasil. É uma oportunidade para as pessoas de baixa renda que não têm condições sequer de pagar uma faculdade. “Sou a favor da política de cotas não só nas universidades federais, mas em todos os segmentos públicos de acesso através de concorrência, pois as cotas representam uma medida compensatória pelos danos sofridos em anos de servidão, retrocesso e atraso educacional e social dos negros. Não me venham dizer que as oportunidades são iguais para todos. Pode até ser, mas as condições de preparação não são. Isso se chama "iniciação tardia", eu sou a prova disso: comecei ter acesso à educação de qualidade aos 18 anos de idade e só cheguei aonde cheguei (que não é muito) com esforço e muito constrangimento por não ter tido a preparação de diversos colegas. Resumindo, tive oportunidade e aproveitei, porém, demorarei muito para chegar ao nível de preparação de quem teve oportunidade desde o berço”, relata o estudante de Comunicação Social da UFMT, Keko Ekesio.

[Foto: Facebook]
A maioria dos estudantes cotistas lida com despesas de livros, transporte, alimentação e moradia. Precisam de um acompanhamento da própria instituição que garanta assistência estudantil e de ações afirmativas.

A entrevista do momento
[Foto: Facebook]
Rosa Lúcia Rocha Ribeiro é coordenadora de assistência social da Pró-Reitoria de Assistência Estudantil (PRAE) da Universidade Federal de Mato Grosso, campus Cuiabá. Também trabalha na tutoria na empresa PET Conexões de Saberes da UFMT.


Blog: O que é a PRAE?
Rosa Lúcia: A PRAE é a Pró-Reitoria de Assistência Estudantil da UFMT, e foi instituída no final de 2012. Organiza-se em três coordenações: a de assistência social, a de políticas acadêmicas e suas afirmativas e a de articulação intercampos e moradias, além de um conselho. A nossa pró-reitora é a Miriam Serra.
Blog: Qual é o objetivo da PRAE?
Rosa Lúcia: A PRAE tem como objetivo a promoção da permanência, o apoio financeiro aos estudantes de baixa renda e o sucesso acadêmico dos mesmos. Hoje, contamos com vários auxílios que esses estudantes podem acessar por meio de editais. A PRAE tem o auxílio permanência, auxílio moradia, auxilio alimentação e também a Casa do Estudante Universitário.
Blog: Como funciona a modalidade de bolsa apoio à inclusão?
Rosa Lúcia: Essa modalidade faz parte da gestão da coordenação de ações afirmativas. Visa remunerar o estudante que pode apoiar um outro estudante ou um grupo de estudantes. Por exemplo, quando teve a implementação do programa de inclusão indígena, alguns estudantes tiveram muita dificuldade, dependendo da etnia, com a língua, com a cultura universitária. A bolsa de apoio à inclusão tem o papel de fazer a integração desses estudantes na vivência universitária e também acolher nas disciplinas e em questões especificas do curso.
Blog: Que outras funções desempenha a PRAE?
Rosa Lúcia: A PRAE executa o auxílio evento, que é voltado para estimular os estudantes nas apresentações de trabalhos científicos. É um trabalho periódico: sai o edital e os alunos podem acessar.
Blog: Como é feito o atendimento psicopedagógico?
Rosa Lúcia: O atendimento é realizado de forma especial para os estudantes que são assistidos pela PRAE, realizado pela coordenação de políticas acadêmicas e ações afirmativas. São identificadas as dificuldades dos estudantes, durante a renovação dos auxílios e benefícios. O estudante precisa fazer jus aos auxílios, comprovando um bom desempenho acadêmico, não podendo ser reprovado por média ou por falta e não pode ter um aproveitamento acadêmico menor do que 70%.

A cultura negra e muito do que somos

ISABELA MEYER
No início da colonização brasileira, os negros foram aprisionados e trazidos ao Brasil, principalmente pelos portugueses, como mão de obra escrava. Além do trabalho, eles contribuíram com alguns aspectos enraizados hoje na nossa cultura, como música e dança, no que condiz ao maracatu e ao samba; na culinária, da feijoada de domingo em muitas casas brasileiras; e na religião, como o candomblé e umbanda, que sofrem muita discriminação.


No vídeo abaixo, o estudante de Jornalismo, Leandro Nogueira da Silva, 32, comenta um pouco sobre o Vale do Amanhecer e outras religiões de matriz africana e a relação da sociedade brasileira com elas.



Participante do Vale do Amanhecer desde o final de 2013, ele afirma que “encontrou tudo o que buscava”, mas muito ainda precisa ser feito para que a população quebre a barreira do preconceito. 

“Sou cristã, mas isso não me dá o direito de sair por aí cometendo agressões contra meus irmãos e justificando justiça da palavra de Deus", afirma a jornalista Luciana Souza. “Se faço isso, já estou descumprindo os mandamentos que sigo”, conclui.
  
A jornalista Luciana Souza, que afirma ser contra o preconceito sofrido por outras religiões
[Foto: Facebook]
A universidade tem desenvolvido um papel fundamental junto a essas questões, com ações que integram grande parte dos elementos da cultura afro-brasileira com danças, culinária e muita arte.

No dia 19 de novembro, véspera de feriado do Dia da Consciência Negra, aconteceu o Armazém da Consciencia Negra, no bosque do Teatro Universitário da UFMT. No dia 20, feriado, a partir das 16 horas, ocorre o 20 de novembro na UFMT: Resistir, existir e ocupar, evento organizado pelo Coletivo Negro da Universidade com o intuito de celebrar a contribuição da cultura negra para a nossa sociedade, que, entretanto, não a valoriza como deveria. 

Para a pedagoga Janaína Tomé, eventos como esse dentro da universidade “são de suma importância para que nos lembremos de onde viemos, nossa história, nossa raiz. Que fazemos parte dessa cultura, que somos brancos, índios e, sim, somos negros. Isso é ser brasileiro”. 

A pedagoga Janaína Tomé acredita que devemos orientar e mostrar a importância da valorização da cultura negra, expondo sua história e riquezas
[Foto: Facebook]

terça-feira, 10 de novembro de 2015

O que é violência contra a mulher para você? Não trate com normalidade o que é crime

Aline Coelho
Naiara Leonor

 
Foto: Aline Coelho

Há pouco mais de três anos, uma jovem foi assassinada no bairro CPA, em Cuiabá. Juliene Gonçalves foi estuprada, morta, pendurada nua pelo pescoço com sua calça jeans em praça pública. O assassino? Um conhecido com quem ela pegou carona depois de uma festa.

Casos como esse não são isolados. Em Mato Grosso, foram registrados 230 homicídios e atentados contra a mulher só em 2014, segundo informação da Secretaria de Estado de Segurança Pública [Sesp], sendo 65 desses só na capital mato-grossense.

O cenário nacional é bem mais assustador, já que no período de 2000 a 2010, 43,7 mil mulheres foram mortas no país vítimas de homicídio, sendo que 40% delas foram assassinadas dentro de suas casas.

Julia Oviedo e Leilaine Rezende, estudantes de Comunicação Social na UFMT, falam sobre os tipos de violência e dizem se já foram vítimas de alguma forma de agressão:


Crimes como esses muitas vezes começam com uma violência verbal, que não é denunciada pelas vítimas por medo, culpa, vergonha, entre outros motivos. Esse tipo de violência é também corroborada por uma sociedade patriarcal marcada pela inferiorização da mulher perante o homem. Segundo dados da Sesp, só na Grande Cuiabá, em 2014, foram registradas 4.552 queixas de agressão psicológica. 

Pelos dados apresentados é possível constatar que apenas uma pequena parcela da sociedade é consciente do respeito e dos direitos das mulheres em sociedade. Demetrinho Arruda, graduando de Comunicação Social da UF, reconhece a existência de uma parte minoritária que respeita as mulheres, mas vê perspectivas de melhora:


E a violência não está restrita a mulheres adultas. Elas acontecem com crianças e adolescentes, como é o caso das mensagens de cunho sexual publicadas na internet sobre a menina Valentina, de 12 anos, que participa do programa culinário MasterChef Junior, da TV Bandeirantes.

O silêncio da sociedade na abordagem do assunto dificulta para que mulheres e crianças falem abertamente sobre o seu abuso, criando um tabu. Enquanto isso, Julienes e Valentinas são violentadas física e psicologicamente sem contar com a devida proteção social e estatal.

Foto: Isabela Mercuri

Por isso, um grupo de mulheres donas de casa, artistas e estudantes resolveram falar sobre o abuso. Na verdade, "pintar" sobre ele. 

O grupo Mulheres do Hip Hop MT foi criado em fevereiro, e já fez a primeira intervenção no Dia da Mulher Negra e Latino-americana, em 25 de julho.

Lígia da Silva Viana, 34, é produtora cultural e compõe o coletivo. Ela conta que o grupo queria fazer uma intervenção destacando a violência contra a mulher e, por isso, escolheram o assassinato da jovem Juliene, que aconteceu na praça do CPA 2.

Foto: Grupo Mulheres do Hip Hop MT

"Nós escolhemos a praça do CPA 2 porque nesse local uma mulher foi vítima de uma violência brutal. E essas violências continuam a ocorrer, são cotidianas e devemos falar sobre isso", afirma Lígia Viana.

A família de Juliene esteve na intervenção que foi realizada no sábado [31/10], às 16h, no mini Estádio do CPA2.

Foto: Isa Sousa


Foto: Isa Sousa












sexta-feira, 22 de maio de 2015

Serviço de copiadoras na UFMT segue questionável

Cleomar, Xerox do IE/Crédito Arildo Leal
ALINE COELHO
ARILDO LEAL

Cópias, impressões, encadernações (inclusive capa-dura), escaneamento são alguns dos serviços disponibilizados por Cleomar na copiadora instalada nas dependências do Centro Acadêmico de Pedagogia, no Instituto de Educação (IE). Porém, para a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o uso do espaço hoje é ilegal e a saída de Cleomar é iminente.

Cleomar, eletricista de formação, já está há 12 anos trabalhando no local. “Trabalho sozinho, minha esposa ajuda de vez em quando e chego a ter um volume entre 30 e 40 mil cópias por mês”, declara. “Chego aqui por volta das 8h e vou até as 20h, com pausa para o almoço”, complementa.

Ele é um dos três microempresários que permanecem prestando o serviço na UFMT, após a retirada, em janeiro de 2015, das copiadoras que ocupavam espaços adendos aos Centro Acadêmicos há mais de 20 anos.

“A cobrança por regulamentar as 'xerox' que não passaram por licitação veio do Ministério Público”, diz Valdemar Souza, 4º Ano de Letras. O que antes estava sob a tutela dos CA´s – a livre utilização de seu próprio espaço físico - passa a ser entendido como de competência da direção da Universidade. 

A Pró-reitora de Administração da UFMT, Valéria Calmon Corisara, explica que esses locais que permanecem e são considerados ilegais serão novamente notificados. Se não houver solução, a UFMT irá recorrer à Procuradoria Federal, para uma ação de reintegração de posse da área pública.

E o serviço?
Enquanto o imbróglio não é resolvido, para os alunos a prestação do serviço é precária e deve piorar. “O atendimento das copiadoras no Instituto de Linguagens é precário. O Cleomar tem os materiais digitalizados dos professores no computador e ainda tem a máquina de cartão que é uma coisa que facilita. Aqui - na copiadora licitada – não tem essas coisas”, reclama a acadêmica do 4º ano de Literatura, Cássia Bueno.

Para a Universidade, os “postos de reprografia” estão atendendo bem a comunidade acadêmica. “Ao menos, não existe nada formalizado dizendo que não está”, destaca a Pró-reitora de Administração.

Hoje, a UFMT mantém contrato com a empresa ColorPress para a prestação desse serviço. A pró-reitora explica que além da loja que opera entre o Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS) e a Rua Um do bairro Boa Esperança, a empresa mantém mais cinco pontos, na Faculdade de Medicina Veterinária, Enfermagem,  Instituto de Ciências Exatas e da Terra (ICET),  Faculdade de Administração e Ciências Contábeis (FAeCC)  e Instituto de Linguagens (IL).

Sala pequena e escondida da ColorPress do IL
[Crédito: Arildo Leal]

Apesar do número reduzido desses pontos, Valéria Calmon conta que é possível que pelo menos um desses locais seja fechado. “Nos foi repassado que o movimento diário na Faec é de um real”.

Dimdim
Hoje, o valor unitário da cópia na Xerox do CA de Pedagogia é de R$ 0,08, abaixo dos R$ 0,10 praticados pela ColorPress. A primeira é negociada juntamente com os estudantes, a segunda, com direção da UFMT. A cada gestão, o Centro Acadêmico se reúne com Cleomar para debater melhorias e aquisições para o espaço cedido.

Já sobre a quantia que a ColorPress paga a UFMT, a pró-reitora explica que os valores são referenciados na licitação – que englobam aluguel por m² e energia elétrica. Ainda existe uma articulação por meio da PRAE (Pró-Reitoria de Assistência Estudantil) para fazer os repasses do que é arrecadado pelas copiadoras aos Centros Acadêmicos (CA´s).  

Ela conta também que na UFMT as pessoas têm dificuldade de entender esse tipo de situação, pois quando as empresas concorrem à licitação, elas concordam em pagar aluguel, luz, tributos, entre outros, nos 365 dias do ano, enquanto o calendário prevê 200 dias letivos. Essa é outra dificuldade para a ampliação do serviço na instituição. 

"Não queremos elogios, queremos respeito."

Movimento feminista cresce dentro da universidade

BRUNA ULIANA
KARINA CABRAL


Pichação anônima na UFMT

Nos últimos anos, o movimento feminista ganhou um espaço cada vez maior na sociedade. O assunto se popularizou graças às discussões em redes sociais, e hoje em dia é possível encontrar coletivos feministas em qualquer cidade, o que não acontecia com tanta facilidade antes.

O feminismo busca, em essência, direitos iguais entre gêneros através do empoderamento feminino e da libertação dos valores patriarcais. Os preconceitos acerca do tema, que ainda são muitos, têm diminuído com a propagação do movimento na internet, em coletivos presenciais, na televisão e em outros segmentos midiáticos.

Um dos lugares onde mais se tem espaço para discussões sobre feminismo – além de outros temas sociais – é a universidade. A estudante Bianca Fujimori, que cursa Jornalismo e se considera feminista, conheceu o movimento há três anos e vê avanços significativos em relação ao tema. “A popularização do termo ‘feminista’ mostra uma mudança nos comportamentos da sociedade, e isso é importante para a libertação das mulheres tanto sexualmente, quanto socialmente”, ela diz.

Bianca Fujimori, 20

Na UFMT, um coletivo feminista foi criado no início do ano com o intuito de promover estudos sistematizados sobre o feminismo, denunciar abusos que ocorrem na universidade, buscar conquistas em espaços públicos e privados, além de construir um laço de solidariedade entre mulheres. “O coletivo surgiu primeiro pela necessidade das mulheres da universidade de se organizarem contra a opressão, de se protegerem e cobrarem coisas e medidas da universidade. Juntando a necessidade com a demanda de superação da opressão da mulher e da libertação do patriarcado, surgiu o coletivo”, conta Viviane Motta, estudante de Ciências Sociais e uma das participantes do coletivo.

Pichação anônima na UFMT

Com reuniões semanais e aberto também para pessoas de fora da universidade, o grupo agrega mulheres de diferentes correntes feministas, o que não tem sido visto como um problema pelas participantes. “Mesmo com algumas divergências ideológicas, temos lutas em comum que nos unem”, diz Viviane. Elas ainda explica com mais detalhes o movimento existente na UFMT:

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Ei, você, estudante de Rádio e TV! Conhece o Cineclube Coxiponés?

FERNANDO PRADO
ISABELA MEYER
NAIARA LEONOR

Os alunos que iniciam um curso de audiovisual, como o de Rádio e TV, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), chegam com o sonho de “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”. Para auxiliar a realização desse sonho, o Cineclube Coxiponés estimula a participação dos alunos em projetos que envolvem a criação e produção de produtos audiovisuais, além de disponibilizar um espaço de discussão sobre o tema e um acervo para pesquisa.

Muitos estudantes de Rádio e TV perdem o interesse e desanimam durante o tronco comum com as disciplinas teóricas. A ansiedade em colocar a mão na massa pode ser saciada participando de projetos, como o Cineclube Coxiponés.


Em funcionamento desde 1977, o Cineclube Coxiponés, projeto de extensão vinculado à Pró-Reitoria de Cultura, Extensão e Vivência (PROCEV) da UFMT, é um dos mais antigos do país e uma das principais propostas dessa natureza que disponibiliza bolsas para os alunos de Rádio e TV da UFMT.

O supervisor do Cineclube e professor da UFMT, Moacir Francisco Barros, informa que atualmente o Coxiponés desenvolve o programa “Cinematografando”, que há quatro anos estimula todas as fases de trabalho do cinema, visando fortalecer a cadeia de produção audiovisual mato-grossense.

Dentro do programa “Cinematografando”, o professor Moacir explica que há quatro projetos em desenvolvimento, sendo que os alunos de Rádio e TV podem participar dos três primeiros: Sessão Coxiponés, Digitalização do Acervo, Mostra de Audiovisual Universitário América Latina UFMT e o Cineaula.

Veja a opinião de três estudantes do curso sobre o projeto:


O Sessão Coxiponés propõe que a comunidade interna da UFMT selecione ciclos de filmes que se relacionem a um tema de escolha do proponente para exibição à comunidade interna e externa. De acordo com edital, deve-se indicar de quatro a oito filmes por tema e participante. As sessões são às terças e quintas. As inscrições estão abertas até 30 de junho, e a curadoria do Cineclube já selecionou três ciclos: Juventude Transviada, que está em exibição; Cinema de Horror e Cinema Expressionista.

O Cineclube também é um centro de referência no quesito acervo audiovisual de Mato Grosso, e para modernizar e manter essa biblioteca cinematográfica é realizada digitalização dos filmes. A consulta ao acervo é aberta às comunidades interna e externa, mas deve ser feita no local que disponibiliza um espaço para tal. O Cineclube também fornece cópia do material, caso o visitante queira. Professores que queiram utilizar o espaço para uma aula com filme, o projeto também abre suas portas para. Para isso, basta agendar um horário.

Um dos projetos mais conhecidos do Cineclube é a Mostra de Audiovisual Universitário América Latina UFMT, que está em sua 14ª edição. Além da mostra competitiva de filmes, dos seminários, painéis e oficinas que já são consagrados na Mostra Universitária da UFMT, o evento trará sessões itinerantes em escolas públicas de Cuiabá, e reabre as ações de audiovisual no Teatro Universitário durante o evento em novembro. Haverá novidades também na premiação, que este ano conta com o patrocínio do Banco da Amazônia. Todos podem participar, prestigiando a mostra e inscrevendo seus filmes.

Atualmente o Coxiponés dispões de apenas um bolsista vinculado ao Programa de Bolsas de Extensão (PBEXT), o aluno do 4º semestre de Rádio e TV, Rafael Irineu. Porém, o professor Moacir não descarta a possibilidade de aumentar esse número para auxiliar na Mostra, já que o evento foi contemplado por edital do Banco da Amazônia e possui R$60 mil para desenvolvê-la.

O número de bolsista já foi maior. No início do “Cinematografando” havia 13 alunos envolvidos, pois o programa tinha sido contemplado por edital também. Com o fim da verba, que durou dois anos, o número de estudantes foi reduzido. Atualmente, o Cineclube Coxiponés busca outros editais para continuar fomentando o desenvolvimento, divulgação e discussão audiovisual no Estado, agregando cada vez mais alunos do curso de Rádio e TV da UFMT em seus projetos. 

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